Por: Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual
Pelo segundo dia seguido, um grupo de bombeiros acampou na escadaria da Assembleia Legislativa (Foto: Wallace Teixeira / Fotoarena /Folhapress)
Rio de Janeiro – Passados 50 dias do início do movimento dos bombeiros do Rio de Janeiro por melhores condições de trabalho e salário, a mobilização entra em fase decisiva, dividido em três frentes de atuação. A primeira e mais desgastada diz respeito à relação com o poder público, representada pelo fracasso das negociações com o governo estadual, pela falta de diálogo com o Comando-Geral do Corpo de Bombeiros e pelo enfrentamento direto com a Polícia Militar.
Outra frente é a crescente relação política dos bombeiros com organizações da sociedade civil e parlamentares de diversos partidos, que aponta para a nacionalização do movimento. Por fim, mas não menos importante, vem a relação com a população, na qual se misturam o apoio à reivindicação trabalhista dos bombeiros e o repúdio à paralisação de alguns serviços importantes e aos atos de vandalismo cometidos por grevistas durante as manifestações.
Nesta terça-feira (7), grevistas distribuíram nas ruas fitas vermelhas de apoio ao movimento que foram acolhidas por uns e rejeitadas por outros, numa clara demonstração da encruzilhada em que se encontram os bombeiros do Rio de Janeiro.
A possibilidade de nacionalização da mobilização dos bombeiros foi citada nesta terça por diversos parlamentares em Brasília. "Existe a preocupação de alguns governadores com o fato de o movimento dos bombeiros do Rio estar tomando uma dimensão nacional", disse o deputado federal Mendonça Prado (DEM-SE), presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que apoia o movimento, prometeu "atuar para evitar o caminho da radicalização" e se colocou à disposição para uma intermediação junto ao governador Sérgio Cabral. "O movimento é legítimo", disse.
Na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputados estaduais de matizes diferenciados têm manifestado apoio aos bombeiros. Na segunda-feira (6), uma comissão de grevistas se reuniu a portas fechadas com os deputados Marcelo Freixo (PSOL), Janira Rocha (PSOL), Wagner Montes (PDT), Paulo Ramos (PDT), Flávio Bolsonaro (PP) e Clarissa Garotinho (PR). Ao fim da reunião, os parlamentares soltaram uma nota conjunta. "Diante da importância do Corpo de Bombeiros para o Rio, não é condizente pagar a esses admiráveis servidores os salários mais baixos do Brasil, criticaram.
O apoio dos deputados fluminenses aos bombeiros se dá por razões diversas. Os parlamentares de esquerda mais ideológicos, como os dois do PSOL ou o petista Robson Leite, apoiam as reivindicações salariais e trabalhistas do movimento por questões de princípio. Outros têm nos profissionais de farda uma parte de sua base eleitoral, casos de Wagner Montes, de Bolsonaro e também do deputado petista Zaqueu Teixeira, ex-chefe da Polícia Civil e presidente da Comissão de Segurança Pública da Alerj.
Outros deputados – cerca de 30 já manifestaram seu apoio – se colocam ao lado dos bombeiros de olho nas possibilidades políticas trazidas pelo movimento e também nas eleições municipais do ano que vem. É o caso de Clarissa Garotinho, que deve ser candidata à vice-prefeita do Rio na chapa encabeçada pelo deputado federal Rodrigo Maia (DEM). Pai de Clarissa, o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), demonstrou estar atento à força do movimento dos bombeiros cariocas ao citá-lo da tribuna da Câmara, durante a polêmica declaração na qual falou que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, é “um diamante de R$ 20 milhões”.
Cabral também exonerou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, e o substituiu pelo coronel Sérgio Simões. A primeira tarefa de Simões, que já se reuniu com os comandantes das 108 unidades operacionais dos bombeiros no Estado, é resgatar o diálogo: “Passei aos comandantes a mensagem de que é preciso ouvir as tropas”, disse.
Se falta diálogo com as autoridades e com o comando da própria corporação, o que os bombeiros grevistas enfrentam na relação direta com a PM nas ruas é o temor mútuo provocado pela escalada de violência. Após diversos episódios de tensão ocorridos durante as manifestações organizadas pela categoria em todo o Rio, a relação com a PM azedou de vez na noite da invasão ao Quartel-Central do Corpo de Bombeiros, quando o comandante do Batalhão de Choque da polícia, coronel Waldir Soares, teve o braço quebrado e o joelho lesionado após sofrer agressões.
Outra frente é a crescente relação política dos bombeiros com organizações da sociedade civil e parlamentares de diversos partidos, que aponta para a nacionalização do movimento. Por fim, mas não menos importante, vem a relação com a população, na qual se misturam o apoio à reivindicação trabalhista dos bombeiros e o repúdio à paralisação de alguns serviços importantes e aos atos de vandalismo cometidos por grevistas durante as manifestações.
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Em meio a enfrentamentos políticos e físicos entre bombeiros e o governo estadual e a própria Polícia Militar, a população do Rio de Janeiro está aparentemente dividida em relação ao movimento. Existe entre os cariocas o sentimento generalizado de que os bombeiros merecem ganhar mais do que o piso de R$ 950,00 concedido atualmente pelo governo estadual. Por outro lado, o abandono total ou parcial de serviços como a emergência neonatal (transporte de recém-nascidos) ou a vigilância dos guarda-vidas nas praias da cidade, entre outros, sofrem claro repúdio da população.- Novo comandante do Corpo de Bombeiros do Rio pede confiança à tropa e garante assistência à população
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Nesta terça-feira (7), grevistas distribuíram nas ruas fitas vermelhas de apoio ao movimento que foram acolhidas por uns e rejeitadas por outros, numa clara demonstração da encruzilhada em que se encontram os bombeiros do Rio de Janeiro.
A possibilidade de nacionalização da mobilização dos bombeiros foi citada nesta terça por diversos parlamentares em Brasília. "Existe a preocupação de alguns governadores com o fato de o movimento dos bombeiros do Rio estar tomando uma dimensão nacional", disse o deputado federal Mendonça Prado (DEM-SE), presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que apoia o movimento, prometeu "atuar para evitar o caminho da radicalização" e se colocou à disposição para uma intermediação junto ao governador Sérgio Cabral. "O movimento é legítimo", disse.
Na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputados estaduais de matizes diferenciados têm manifestado apoio aos bombeiros. Na segunda-feira (6), uma comissão de grevistas se reuniu a portas fechadas com os deputados Marcelo Freixo (PSOL), Janira Rocha (PSOL), Wagner Montes (PDT), Paulo Ramos (PDT), Flávio Bolsonaro (PP) e Clarissa Garotinho (PR). Ao fim da reunião, os parlamentares soltaram uma nota conjunta. "Diante da importância do Corpo de Bombeiros para o Rio, não é condizente pagar a esses admiráveis servidores os salários mais baixos do Brasil, criticaram.
O apoio dos deputados fluminenses aos bombeiros se dá por razões diversas. Os parlamentares de esquerda mais ideológicos, como os dois do PSOL ou o petista Robson Leite, apoiam as reivindicações salariais e trabalhistas do movimento por questões de princípio. Outros têm nos profissionais de farda uma parte de sua base eleitoral, casos de Wagner Montes, de Bolsonaro e também do deputado petista Zaqueu Teixeira, ex-chefe da Polícia Civil e presidente da Comissão de Segurança Pública da Alerj.
Outros deputados – cerca de 30 já manifestaram seu apoio – se colocam ao lado dos bombeiros de olho nas possibilidades políticas trazidas pelo movimento e também nas eleições municipais do ano que vem. É o caso de Clarissa Garotinho, que deve ser candidata à vice-prefeita do Rio na chapa encabeçada pelo deputado federal Rodrigo Maia (DEM). Pai de Clarissa, o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), demonstrou estar atento à força do movimento dos bombeiros cariocas ao citá-lo da tribuna da Câmara, durante a polêmica declaração na qual falou que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, é “um diamante de R$ 20 milhões”.
Enfrentamento
Em relação às autoridades do Executivo estadual, a interlocução dos bombeiros não é tão fluente. O governador Sérgio Cabral, que nos últimos dias se dirigiu aos grevistas com termos como “vândalos”, “irresponsáveis” e “delinqüentes”, parece irredutível em sua decisão de afastar os 439 bombeiros presos no sábado (4) durante a desocupação do quartel central da corporação.Cabral também exonerou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, e o substituiu pelo coronel Sérgio Simões. A primeira tarefa de Simões, que já se reuniu com os comandantes das 108 unidades operacionais dos bombeiros no Estado, é resgatar o diálogo: “Passei aos comandantes a mensagem de que é preciso ouvir as tropas”, disse.
Se falta diálogo com as autoridades e com o comando da própria corporação, o que os bombeiros grevistas enfrentam na relação direta com a PM nas ruas é o temor mútuo provocado pela escalada de violência. Após diversos episódios de tensão ocorridos durante as manifestações organizadas pela categoria em todo o Rio, a relação com a PM azedou de vez na noite da invasão ao Quartel-Central do Corpo de Bombeiros, quando o comandante do Batalhão de Choque da polícia, coronel Waldir Soares, teve o braço quebrado e o joelho lesionado após sofrer agressões.
Por que o ato dos bombeiros cria um precedente perigoso
ResponderExcluirOs bombeiros assim como qualquer categoria têm o direito de pedir melhoria salarial, ocorre que por servirem junto com a PM, sob regime militar, lhes é vetado o direto à greve. Nos últimos dias o que tenho visto no Rio é um circo. Uma categoria que vem sendo “doutrinada” por políticos faz meses, chega ao ponto de rasgar sua lei militar, invadir um quartel, ocupar e inutilizar viaturas.
Ora, isso é inadmissível em um estado de direito. Imaginemos se médicos decidem fazer greve, invadir hospitais, furar pneu das ambulâncias e trancar as portas; E se um dia policiais em greve ocuparem os presídios e ameaçarem soltar os presos? Não obstante, teríamos ainda a possibilidade de Soldados do exército em greve, colocarem tanques para obstruir vias. Pergunto: Onde a sociedade vai parar? É esse o precedente que a sociedade deseja abrir com os bombeiros?
Para que não corramos esse risco há uma legislação militar que rege as FFA, Bombeiros e a PM. Independente de qualquer pleito salarial, ela tem de ser respeitada. No momento em que a sociedade permitir que essa lei seja ignorada, estará pondo em risco sua própria ordem.