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Policiais civis anunciam greve para abril

O presidente do Sinpol, Alexandre Barbosa da Silva explica que a greve também é um meio de pressionar os governos estaduais e ajudarem na aprovação da PEC

LUCIA MOREL

A Polícia Civil entra em greve no dia 16 de abril conforme decisão tomada em assembleia realizada ontem pelo Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol). A greve é em prol da aprovação da Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) 300, que insitui um piso nacional para policiais militares, civis e bombeiros. O projeto está parado no Congresso Nacional e não há data prevista para que seja votado.
O presidente do Sinpol, Alexandre Barbosa da Silva explica que a greve também é um meio de pressionar os governos estaduais e ajudarem na aprovação da PEC. No entanto, a estratégia pode não funcionar, como aconteceu na Bahia, onde a PM parou por 12 dias, período em que ocorreram cerca de 150 homicídios. Maranhão, Ceará e Rio de Janeiro também enfrentaram paralisações.
Um dos problemas é que, se aprovada PEC, quem vai arcar com as despesas do cumprimento do piso a ser estipulado são os Estados. "O que queremos é que o governo assuma sua responsabilidade e que a União ajude os Estados", disse Silva. Ele explica que a PEC, se aprovada, cria um fundo que servirá de suporte para o pagamento dos salários.

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República federal ou estado unitário

O governo FHC foi o mais completo golpe ao pacto federativo, ao aprovar no Congresso encomendas dos EUA, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, que arrochou os estados

Por: Mauro Santayana


A proposta de nivelar, pelo alto, os vencimentos dos policiais militares e bombeiros de todos os estados colide com uma dificuldade constitucional que os parlamentares fizeram de conta não existir: o Brasil é uma república federativa e, nas federações, a autonomia de suas unidades deve ser garantida. Cada estado, como unidade política própria, elabora, nas Assembleias Legislativas, sua política orçamentária e prevê a remuneração de seus servidores.

O país continua a ser uma federação, conforme decisão tomada pelos constituintes de 1891. Antes, o país até se dividia em administrações descentralizadas, como atesta sua história. Mas os governadores-gerais – mais tarde agraciados com o título de vice-reis – eram representantes da soberania política de Portugal. Raramente intervinham na administração. Essa realidade era anterior à Independência.

A ideia federativa surgiu com o movimento de Vila Rica. Os inconfidentes estavam sob a influência da independência dos Estados Unidos e de sua construção pactuada. A articulação mineira pela independência nacional como federação, sufocada com a execução de Tiradentes e a repressão brutal que se seguiu, só retornaria depois da vinda da família real para o Brasil, em 1808, e se expressaria na Revolução Pernambucana de 1817. A partir de então, passou a crescer e chegou a ser cogitada, ainda em 1823, nas discussões da frustrada Assembleia Constituinte, dissolvida à força por Pedro I. De 1817 a 1848, com a Confederação do Equador, a Revolução Farroupilha, a Revolução de 1842 e movimentos menores, até a Praieira, de 1848, todos os movimentos de rebeldia regional foram federativos.

O Ato Adicional, de 1834, desconcentrou um pouco o poder, com a criação das Assembleias Legislativas Provinciais, mas a reforma de Araújo Lima e a Maioridade favoreceram nova centralização. No Manifesto Republicano, de 1870, foi clara a expressão do projeto federativo. E os constituintes de 1891 aprovaram o texto da Carta Republicana sob a influência de Ruy Barbosa e de Joaquim Nabuco, federalistas históricos.

Pouco a pouco, os direitos federativos dos estados foram corroídos pela centralização do poder na União. Com a Assembleia Nacional Constituinte de 1946, os legisladores não restauraram os direitos federativos originais, de 1891. Mesmo assim, os direitos de tributação dos estados – que não foram alterados substancialmente durante o governo Vargas – se mantiveram. O regime militar a partir de 1964 acabou, de fato, com a federação, ao liquidar sua autonomia econômica e política. A Constituição de 1988 restaurou-a, em grande parte, mas poderia ter sido mais ousada, no que se refere à independência orçamentária.

Nenhum governo foi tão completo no assassinato da federação quanto o de Fernando Henrique Cardoso. Atendendo ao governo mundial, exercido nominalmente por Washington e de fato pelos grandes bancos, o então presidente conseguiu do Congresso a aprovação de minutas redigidas nos Estados Unidos, como as da Lei de Responsabilidade Fiscal – arrocho contra os estados –, a Lei Kandir, a emenda da reeleição e a privatização dos bancos estaduais.

Agora, o Congresso Nacional quer federalizar, na prática, a segurança pública, com a PEC 300. Ora, enquanto o Brasil não se desenvolver como um todo, cada estado estará submetido às receitas tributárias desiguais. Não se trata, apenas, de impor aos estados a elevação brutal de despesa com o aumento, mas, também, de garroteá-los politicamente, com a redução dos poderes de decisão de seus cidadãos. Cada uma das unidades federadas tem a própria história e a própria cultura, que devem ser respeitadas para a construção da grande identidade nacional. A União é um pacto político, não ata de submissão aos eventuais ocupantes do poder central.



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O governo FHC foi o mais completo golpe ao pacto federativo, ao aprovar no Congresso encomendas dos EUA, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, que arrochou os estados

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A proposta de nivelar, pelo alto, os vencimentos dos policiais militares e bombeiros de todos os estados colide com uma dificuldade constitucional que os parlamentares fizeram de conta não existir: o Brasil é uma república federativa e, nas federações, a autonomia de suas unidades deve ser garantida. Cada estado, como unidade política própria, elabora, nas Assembleias Legislativas, sua política orçamentária e prevê a remuneração de seus servidores.

O país continua a ser uma federação, conforme decisão tomada pelos constituintes de 1891. Antes, o país até se dividia em administrações descentralizadas, como atesta sua história. Mas os governadores-gerais – mais tarde agraciados com o título de vice-reis – eram representantes da soberania política de Portugal. Raramente intervinham na administração. Essa realidade era anterior à Independência.

A ideia federativa surgiu com o movimento de Vila Rica. Os inconfidentes estavam sob a influência da independência dos Estados Unidos e de sua construção pactuada. A articulação mineira pela independência nacional como federação, sufocada com a execução de Tiradentes e a repressão brutal que se seguiu, só retornaria depois da vinda da família real para o Brasil, em 1808, e se expressaria na Revolução Pernambucana de 1817. A partir de então, passou a crescer e chegou a ser cogitada, ainda em 1823, nas discussões da frustrada Assembleia Constituinte, dissolvida à força por Pedro I. De 1817 a 1848, com a Confederação do Equador, a Revolução Farroupilha, a Revolução de 1842 e movimentos menores, até a Praieira, de 1848, todos os movimentos de rebeldia regional foram federativos.

O Ato Adicional, de 1834, desconcentrou um pouco o poder, com a criação das Assembleias Legislativas Provinciais, mas a reforma de Araújo Lima e a Maioridade favoreceram nova centralização. No Manifesto Republicano, de 1870, foi clara a expressão do projeto federativo. E os constituintes de 1891 aprovaram o texto da Carta Republicana sob a influência de Ruy Barbosa e de Joaquim Nabuco, federalistas históricos.

Pouco a pouco, os direitos federativos dos estados foram corroídos pela centralização do poder na União. Com a Assembleia Nacional Constituinte de 1946, os legisladores não restauraram os direitos federativos originais, de 1891. Mesmo assim, os direitos de tributação dos estados – que não foram alterados substancialmente durante o governo Vargas – se mantiveram. O regime militar a partir de 1964 acabou, de fato, com a federação, ao liquidar sua autonomia econômica e política. A Constituição de 1988 restaurou-a, em grande parte, mas poderia ter sido mais ousada, no que se refere à independência orçamentária.

Nenhum governo foi tão completo no assassinato da federação quanto o de Fernando Henrique Cardoso. Atendendo ao governo mundial, exercido nominalmente por Washington e de fato pelos grandes bancos, o então presidente conseguiu do Congresso a aprovação de minutas redigidas nos Estados Unidos, como as da Lei de Responsabilidade Fiscal – arrocho contra os estados –, a Lei Kandir, a emenda da reeleição e a privatização dos bancos estaduais.

Agora, o Congresso Nacional quer federalizar, na prática, a segurança pública, com a PEC 300. Ora, enquanto o Brasil não se desenvolver como um todo, cada estado estará submetido às receitas tributárias desiguais. Não se trata, apenas, de impor aos estados a elevação brutal de despesa com o aumento, mas, também, de garroteá-los politicamente, com a redução dos poderes de decisão de seus cidadãos. Cada uma das unidades federadas tem a própria história e a própria cultura, que devem ser respeitadas para a construção da grande identidade nacional. A União é um pacto político, não ata de submissão aos eventuais ocupantes do poder central.

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Secretário de Administração participa do LXXXV fórum Consad

Secretários de Administração se reúnem em Fortaleza para debater gestão pública
Secretários de Administração e especialistas em gestão pública de todo o país estiveram reunidos durante dois dias, em Fortaleza, Ceará, para participar do LXXXV Fórum Nacional de Secretários de Estado de Administração (Consad). O secretário do Piauí, Paulo Ivan da Silva Santos, participou pela primeira vez do evento, que tem como objetivo debater temas relacionados à melhoria da gestão pública.
Na abertura do evento, realizada quinta-feira (8), o secretário de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro e presidente do Consad, Sérgio Ruy Barbosa, destacou a importância do encontro para o desenvolvimento da administração dos estados. A abertura contou ainda com a presença do presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, desembargador Arísio Lopes, do presidente da Assembléia Legislativa do Ceará, deputado Roberto Claudio, do presidente do Banco do Nordeste, Jurandir Vieira Santiago, e dos vice-presidentes do Consad, Eduardo Diogo, secretário de Planejamento e Gestão do Ceará, e Stela Farias, secretária de Administração e dos Recursos Humanos do Rio Grande do Sul.
No primeiro dia de atividades, foram realizados painéis sobre a nova linha de financiamento para melhoria da gestão estadual e também sobre a execução dos projetos financiados com recursos doados ao Consad pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Também foram debatidos temas relacionados ao funcionalismo estadual em tramitação no Congresso Nacional, tais como PEC 300, reajuste do Piso Nacional de Magistério, regulamentação do direito de greve do funcionalismo público e fixação do teto para despesas de pessoal das defensorias públicas. No fim do dia, os secretários se deslocaram até a sede do Governo do Ceará, para um encontro com o governador Cid Gomes.
Nesta sexta-feira (9), o destaque foi para o Programa Nacional de Apoio à Modernização da Gestão e do Planejamento dos Estados Brasileiros e do Distrito Federal – PNAGE e a agenda do V Congresso Consad de Gestão Pública, que acontece em Brasília no mês de junho. Após o termino dos debates foi feita a eleição e posse da nova Presidência e do Conselho Fiscal do Consad para o anuênio 2012/2013.
Além do secretário Paulo Ivan, o diretor estadual do PNAGE no Piauí, Evaldo Ciríaco, também participou do LXXXV Fórum Consad. O Fórum é realizado a cada três meses e busca promover a troca de experiências e a busca de soluções inovadoras para o aperfeiçoamento da gestão pública nos estados e no Distrito Federal.

Fonte: http://180graus.com/

Mendonça Filho pode vir ao Estado para ato em prol da PEC 300

Proposta que estabelece um piso salarial para servidores da segurança pública
Foto: Divulgação

A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (ACS) e o deputado federal Fábio Trad (PMDB-MS) pretendem trazer o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) a Mato Grosso do Sul para um ato em prol da PEC 300, proposta que estabelece um piso salarial unificado para os servidores da segurança pública no Brasil.
Durante reunião na manhã desta sexta-feira (9) entre representantes da entidade e o parlamentar, Trad se colocou à disposição e deve como tem feito, cobrar a votação da PEC durante seus discursos na Câmara Federal.
“Não tem piso nacional para educação? Educação e segurança pública não são prioridades do governo? Não pode um policial que sai de casa sem saber se volta ganhar R$ 1.950,00”, afirma o deputado.
Foi o próprio parlamentar que propôs a vinda de Mendonça Filho, titular da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Os militares pretendem realizar um ato em Campo Grande para fortalecer a proposta.
De acordo com Cláudio Souza, vice-presidente da Associação, o salário atual de um soldado em início de carreira é “inadmissível”. Segundo ele, a ACS deve buscar, independente da PEC, um índice diferenciado de reajuste este ano para a cabos e soldados.
“A situação do cabo e do soldado é terrível. Nós reconhecemos que o governo tem investido em armamento, viaturas, mas o soldado que está na rua não está contente com este salário”, garante.
PEC 300
Aprovada em primeiro turno, a PEC 300 segue parada na pauta de votação da Câmara dos Deputados. Em outubro do ano passado, militares de várias partes do Brasil foram até Brasília (DF) para pressionar a votação em segundo turno.
Porém, para entrar na pauta, a proposta precisaria da assinatura dos líderes de todos os partidos da Casa. Apenas o deputado Paulo Teixeira (PT), que na época era líder do PT na Câmara, se recusou a assinar.

 (Com informações assessoria)



Fonte: Natália Gonçalves - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Crise nas Polícias: eu avisei

“Os policiais merecem salário digno para poder dedicar-se exclusivamente à segurança pública, ao treinamento e à elevação de seu padrão profissional”
Alfredo Sirkis  
 
São totalmente inaceitáveis e intoleráveis rebeliões policiais colocando em risco a população, como a de Salvador. A punição deve ser exemplar e sem anistias. O caso dos bombeiros no Rio foi particular, específico e diferente da ação insana que assistimos em Salvador e que ameaça se alastrar às vésperas do Carnaval. Mas o governo precisa também assumir a responsabilidade pela demagogia eleitoreira, em 2010 e, depois, pela sua omissão e falta de proatividade.

Em dezembro de 2010, escrevi o blog que reproduzo abaixo falando sobre a crise das polícias e a PEC 300. Fiz depois disso várias advertências na tribuna da Câmara Federal. Infelizmente, o governo deixou a situação deteriorar-se com a batata quente na mão dos estados. A PEC 300, que nivela o piso salarial dos policiais com a PM de Brasília (R$ 4 mil), foi aprovada em primeira votação, em 2010, antes das eleições. Depois, tudo mudou frustrando as expectativas.


Por outro lado, o mero aumento de salários mantendo-se o duplo ou triplo emprego, aquelas famigeradas escalas de serviço, não atende à população que almeja uma polícia civil e militar de qualidade.
Crise é sinônimo de oportunidade, e o governo federal tem a possibilidade de lancetar o abcesso, criando um Fundo de Segurança para ajudar os estados a pagar uma aplicação, escalonada no tempo, da PEC 300 e acabar com o câncer do mal chamado “bico” policial, na verdade uma segunda ocupação remunerada que frequentemente paga mais que a profissão. Um soldado da PM que ganhe R$ 1.500,00 e trabalhe 20 dias por mês como segurança de supermercado, por R$ 100,00, tem uma remuneração extra-polícia de R$ 2.000,00 por mês. Sua ocupação primordial é a segurança privada.
Os policiais merecem salário digno para poder dedicar-se exclusivamente à segurança pública, ao treinamento e à elevação de seu padrão profissional. É chegada a hora de enfrentar o problema de forma corajosa e estratégica.
Vejam o que escrevi em dezembro de 2010:
Hoje um soldado da PM-RJ  ganha entre salário e gratificações cerca de R$ 1.400,00, ou se for de UPP, R$ 1.600,00. Muito pouco para uma polícia de qualidade, e que só faz sentido no atual regime de escala de serviço que caracteriza uma polícia part time, trabalhando praticamente dois dias por semana. Venho defendendo que a efetiva implantação da dedicação exclusiva de policiais civis e militares à segurança pública é o nó górdio para melhorar a qualidade da polícia. Em teoria, essa exigência já existe, mas, na prática, são pouquíssimos os que não tenham uma segunda ocupação remunerada que quase sempre paga mais que a profissão de policial. Um PM que trabalhe 20 dias como segurança de supermercado estará ganhando cerca de R$ 2.000. Mais do que ganha nos dez dias por mês que trabalha para a polícia.
Os PMs tem uma escala de serviço de (supostamente) 24 horas de plantão por 48h de “folga”, no caso dos civis, 72h. Na suposta “folga”, são segurança de estabelecimento comercial, guarda-costas, motoristas de taxi e até (já conheci), corretores de imóveis. Um PM, muitas vezes, trabalha para o coronel comandante de seu batalhão que tem uma empresa de segurança. Na segunda feira, são superior e subordinado, na terça, empresário e empregado informal.
No caso dos policiais banda podre, envolvidos com o crime, esses dias de suposta “folga”, quando não estão sob o enquadramento e a rotina da instituição, são muito “úteis”, embora o “arreglo” possa acontecer durante os dias de serviço também. Não é a toa que mais de 70% das mortes de PMs se dão fora do serviço policial regular.
Para impor de fato a dedicação exclusiva, teria que haver um aumento de salário, que alguns policiais, que depuseram na Comissão de Segurança da CMRJ que presido, estimaram entre 100% e 150%, e não fica longe do disposto na PEC 300. Os estados não conseguem pagar isso e teria que haver um Fundo Nacional de Segurança para, como no caso dos professores, bancar a diferença. Parte disso poderia vir do FAT. Estou fazendo um estudo com André Urani para ver como isso pode ser financiado.
Se a PEC 300 ainda estiver em pauta na próxima legislatura, quando serei deputado federal, gostaria de contribuir para costurar um acordo com o governo, para vincular um aumento substancial – não precisa ser precisamente da forma disposta na PEC, temos que ver o lado fiscal da coisa – a imposição compulsória da dedicação exclusiva. Poderia haver um período de transição com os dois regimes e, ao final, a opção. O policial que quiser continuar policial então ficará com um salário compatível, mas proibido de exercer outra atividade, mesmo que mantenha um tipo de escala que certas missões policias exigem. Os outros dias teriam que ser dedicados à formação permanente, ao adestramento, etc…
O efetivo da PM quase triplicaria e teríamos um maior controle sobre eles. Quem preferir a segurança privada teria que se aposentar porque há uma contradição entre elas. A privada nutre-se da deficiência da pública. Além da dificuldade financeira há toda uma cultura policial secular a ser vencida, mas, se queremos algum dia ter uma polícia de qualidade, não há como fugir dessa questão. Com um regime part time, nunca teremos uma policia decente.
Não é uma panacéia, ainda teríamos que ter uma corregedoria verdadeiramente autônoma, eficaz e bem protegida para combater concentradamente o “arreglo”, o banditismo e os crimes violentos cometidos por policiais (penso que deveria ser separada da encarregada de questões disciplinares e crimes menos graves). De qualquer forma, parece-me uma condição sine qua non para começar o longo caminho de recuperar as polícias. É como se pode obter mais efetivo e mais qualidade para encarregar-se tanto do policiamento ostensivo das favelas e do asfalto – que deveria ser feito primordialmente a pé – quando da investigação e instrução judicial ambos muito precários no Rio de Janeiro e em outros estados, cada qual com seus problemas específicos e peculiaridades.

Votação da PEC 300 inquieta militares



A retomada da movimentação para a votação da PEC 300, que prevê um piso salarial para as Polícias Militares, com consequente reajuste de seus vencimentos, será mais um ingrediente para aumentar a temperatura nas Forças Armadas. Os militares estão muito insatisfeitos com os seus salários e alertam que, em vários casos, eles estão menores do que muitas das PMs, que são Forças Auxiliares das Forças Armadas. Por isso, querem um aumento de 47% e justificam que um coronel da PM de Sergipe, por exemplo, ganha R$ 17,2mil, o do Distrito Federal ganha R$ 16,3 mil enquanto um coronel do Exército recebe R$13mil. Lembram ainda que um general de Exército, último posto da carreira militar, com 45 anos de serviço, recebe R$ 18,8 mil. Mas as comparações não se limitam às PMs e se estendem pelas demais carreiras de Estado. As tabelas e quadros comparativos entre as categorias apontam que o salário médio no Banco Central é de R$ 17,4 mil, do Ministério Público é R$19,5 mil , no Legislativo, é R$ 13,9 mil e no Judiciário é de R$ 12,3 mil.

AS QUEIXAS

Logo que assumiu o cargo, o ministro da Defesa, Celso Amorim, ouviu dos comandantes as queixas da categoria e relatos da pressão que estão sofrendo. Ainda no ano passado, depois de muitas discussões internamente nas três Forças, uma proposta foi encaminhada à Defesa, pedindo o reajuste de 47%. Os militares lembram que o último reajuste que receberam foi em 2008, distribuído em suaves parcelas, sendo a última paga em julho de 2010 e já vieram defasados. Vários estudos circulam na tropa. Só de inflação, desde o último reajuste até o final do ano passado, os militares alegam que já perderam 18%.

Os Clubes Militares, que em muitos casos funcionam como a voz do pessoal da ativa, que não pode se pronunciar, têm batido nesta tecla constantemente. De setembro para cá, o Clube Militar, que representa o Exército, já publicou quatro informes sobre a situação salarial da categoria, mostrando as diferenças salariais por enquadramento funcional, que podem ser lidos em sua página na internet. (Agência Estado)

Cardozo tenta evitar greve de policiais civis

 

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, receberá no próximo dia 7 de março os representantes dos sindicatos de policiais civis de todo o país, que discutem se entram ou não em greve nacional no início de abril. A principal pauta dos sindicalistas é a aprovação de propostas que constavam da Proposta de Emenda Constitucional ´(PEC) 300, como o piso nacional para policiais e bombeiros. As federações estaduais de policiais foram convocadas para decidir sobre a greve no dia 16 de março. Se a paralisação for aprovada, ela começará em 16 de abril, informa o presidente da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis, Jânio Bosco Gandra.

Felipe Patury