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Mulheres de bombeiros presos relatam o drama de seus filhos pela ausência dos pais

Mulheres de bombeiros presos relatam o
drama de seus filhos pela ausência dos pais

Um dos militares teve de ser escoltado por agente do Bope para receber visita
 Marcos de Paula/R7
Parente de manifestante simulou lágrimas de sangue na Alerj

“Quero que o governador Sérgio Cabral diga o que eu falo para o meu filho de dois anos. Porque o pai dele era herói e agora virou vândalo.” O desabafo em tom de pergunta é de Adriana Oliveira, mulher do sargento Pedro de Oliveira, um dos 439 bombeiros presos no quartel de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Os agentes foram detidos após invadirem o Quartel Central da corporação, na sexta-feira (3), durante manifestação por melhores salários e condições de trabalho.

Veja as fotos de domingo

Extremamente emocionada e tentando segurar o choro, que viria em instantes, Adriana contou ao R7 o momento mais complicado que viveu no domingo (5), quando foi visitar o marido.

- Eu tive que ver o Pedro sendo escoltado por um agente do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) para poder dar um simples abraço no nosso filho. Isso é traumatizante. Ele não é bandido.
A cena relatada chocou Adriana, mas é quando a noite cai que o sofrimento fica ainda maior. O fim do dia faz o filho lembrar a chegada do pai em casa. O salva-vidas costuma abrir a porta assoprando o apito e faz a alegria do menino.
- Ele sente muita falta do pai e fica esperando o Pedro chegar. Ele até me pediu para amarrar o apito na camisa dele.
Valéria Azevedo, mulher do também manifestante Pedro Ivo, preferiu não contar às filhas de 4 e 5 anos a real situação do pai. Tudo para evitar o sofrimento.
- Elas perguntam toda hora, mas eu falo que estamos trabalhando. Não tive coragem de contar a elas. Se souberem, vão ficar com medo, vão ficar preocupadas. E elas são muito novas, não sei como iriam encarar isso.
O momento da notícia sobre a prisão do sargento José Antônio Filho chocou Janecy Ribeiro, mulher do bombeiro, e suas duas filhas. Até a ficha cair e o marido fazer o primeiro contato, os momento foram de pura tensão.
- A gente não sabia o que tinha acontecido. Hoje [domingo], minhas filhas estão um pouco mais calmas, mas na hora que souberam, começaram a chorar sem parar, eu até me assustei. Mas quando ele ligou, nos acalmamos. Agora, nos falamos a todo momento, e isso dá um pouco de conforto.
Entenda o caso
Por volta das 20h da última sexta-feira, cerca de 2.000 bombeiros - muitos acompanhados de mulheres e crianças - ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.
A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.

Vídeos: assista às principais imagens

Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.
Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo. Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, só que para o quartel do bairro Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.
Visivelmente irritado com o "total descontrole", o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reunião de cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.
Cabral disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis", alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007. Segundo ele, com todas as bonificações e reajustes previstos, até o fim do ano, os bombeiros terão um salário muito próximo ao que é reivindicado.
Os bombeiros presos serão autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão. Inconformados, alguns iniciaram greve de fome como mais uma forma de protesto.
Apesar das baixas, o comando-geral do Corpo de Bombeiros informou que a rotina de atendimento à população está mantida e que os substitutos dos bombeiros presos assumiram seus postos.

Do R7

Fonte: http://policialbr.com/profiles/blogs/mulheres-de-bombeiros-presos?xg_source=shorten_twitter#ixzz1OVE8Q9tg

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